O Assistencialismo e o Paternalismo geram comportamentos de espera, dependência e de passividade. São práticas que devem ser evitadas, pois desejamos que a promoção humana auxilie os Pobres a conquistarem sua dependência e sua promoção.

Definições:

Assistencialismo – “doutrina, sistema ou prática que organiza e presta assistência às comunidades socialmente excluídas, entretanto, sem que seja elaborada uma política para tirá-las da condição de carência” (Dicionário da Cidadania).

Paternalismo – “Doutrina segundo a qual as relações entre patrões e empregados devem ser regidas pelas regras da vida familiar, cabendo aos primeiros decidir autoritariamente o que aos segundos convém. Tendência para a proteção, para a tolerância; favoritismo, nepotismo” (Dicionário online de Português).

O assistencialismo é caracterizado por aquela ajuda momentânea e pontual: doação de alimentos, medicamentos, pagamento de contas de água e luz… Nosso “agir” vicentino deve ir “além” desta ajuda momentânea. Tal prática não transforma a realidade social dos Pobres, pois atende às necessidades individuais das pessoas e a ajuda é feita através de doações.

Um dos problemas em não mudar as estruturas em que os Pobres vivem é a conservação da situação de carência e pobreza em que vivem. Outro problema é que se cria uma imagem favorável dos doadores perante a comunidade, nos levando ao ledo engano de que “fizemos nossa obrigação” e a “paz de espírito de nossas consciências”.

O paternalismo não é diferente, pois são favores prestados aos Pobres, tentativas de soluções imediatistas onde o doador ou o prestador de serviço é quem decide pelos Pobres, não permitindo que os Pobres se manifestem sobre a viabilidade ou não do serviço ou projeto.

Os problemas aqui também existem. Não ouvir e não dar crédito à capacidade que os Pobres têm de transformar suas vidas é atitude paternalista e desrespeita o ser humano no que ele tem de mais sagrado que é a sua Dignidade. Igualmente ao assistencialismo, quando um prestador de serviço “ajuda” os Pobres cria esta imagem favorável sobre si, o que resulta numa acomodação e bem estar pelo que foi feito.

Temos consciência de que nossas ações de vicentinos às vezes são assistencialistas, ora paternalistas, porque são necessárias naquele momento. Porém, não podemos nos acomodar e nos conformar com o que foi feito. É preciso “ir além” e desenvolver um processo de mudança sistêmica juntamente com os Pobres, para que a pobreza deixe de existir na vida dos nossos “assistidos”.

Encerro este artigo com uma frase de Frederico Ozanam:

“…Vamos até este povo e ajudemos não somente com a esmola que imobiliza o homem, senão também lhes ajudando a criar suas próprias instituições que os façam melhores ao tornarem-se autônomos. Peço que em vez de adotarmos os interesses de uma burguesia egoísta, nos ocupemos do povo. É neste povo onde vejo sinais de fé e de moralidade suficientes para salvar uma sociedade que as classes altas perderam”.

 

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