“A primeira impressão é a que fica”. Este ditado popular deve ser bastante observado no seio da Sociedade de São Vicente de Paulo, especialmente quando recebemos visitantes em nossas Conferências, Conselhos, Obras (unidas ou especiais) e festas regulamentares. Se queremos que essas pessoas venham a se tornar aspirantes e, logo depois, vicentinos, precisamos ficar atentos para certos detalhes que podem comprometer a imagem de nossa entidade.

Certa vez ouvi de um desses visitantes que ele teria desistido de ser vicentino pois achava o ambiente da Conferência muito sóbrio e conservador ao extremo. Outro me contou que suas opiniões e ideias não eram lá muito valorizadas. Um terceiro me confidenciou que considerava as reuniões enfadonhas e pouco atrativas. Portanto, há que se perguntar: como estamos acolhendo os postulantes a vicentino nas unidades vicentinas?

Acolher, segundo os dicionários, significa “hospedar”, “receber alguém”, “abrigar”, “dar guarida”. Quando recebemos uma pessoa em nossa casa, procuramos arrumar tudo: colocamos os móveis no lugar, guardamos os brinquedos das crianças, retiramos as roupas do varal, damos aquela última olhada no banheiro, limpamos a louça suja do almoço, etc.

E nas nossas Conferências, temos essas preocupações? Nossas salas estão limpas e arejadas? O dispensário de roupas e de alimentos está em ordem? As paredes da sala que utilizamos na paróquia está pintada e conservada? Nossas reuniões são alegres, pacíficas e estimulantes? Nossas visitas aos socorridos são realmente transformadoras, ou meramente assistencialistas? Os jovens e aspirantes têm espaço no dia-a-dia das Conferências? Eles recebem atribuições e missões a cada semana? Procuramos valorizar as impressões externas ou estamos terrivelmente apegados ao nosso próprio parecer? Aceitamos sugestões ou simplesmente dizemos que “é assim que fazemos há anos”?

Acolher bem o visitante é jogar a semente em terra fértil. Como está escrito em Mateus (capítulo 13): “O semeador saiu a semear. Enquanto semeava, parte das sementes caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia terra; a semente nasceu mas porque não tinha terra profunda, queimou-se com o sair do sol e, por não ter raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos e os espinhos cresceram e a sufocaram. Mas outra parte caiu em terra boa e deu frutos cem por um”.

Esta semente vai crescer (aspirantado) e dará frutos (confrade ou consócia) se cair em terra boa, ou seja, se encontrar uma Conferência “fértil”.

Temos que fazer de tudo para que os novatos tenham a impressão correta do trabalho vicentino para que, se forem vocacionados, ingressem neste movimento internacional de leigos, inspirado na generosidade de São Vicente de Paulo e sonhado pelo Bem-aventurado Antônio Frederico Ozanam. Os visitantes e futuros aspirantes precisam compreender a missão desempenhada pelas Conferências e os desafios a que nós estamos dispostos a enfrentar pela construção do Reino.

Algumas pequenas sugestões que podem dar um “tempero” novo às nossas reuniões: a) no início ou no encerramento, cantar hinos vicentinos; b) convidar todos os presentes a fazerem a saudação “A Paz de Cristo” (a mesma da santa missa); c) pedir ao visitante que conduza a leitura espiritual, ou que faça um comentário dela; d) presentear os novatos com um exemplar da Regra, estimulando sua leitura e, depois de lida, promover a discussão sobre seus princípios; e) delegar tarefas, especialmente aquelas relacionadas à vida dos assistidos; f) mensalmente, fazer uma confraternização com os aniversariantes, com a reza do Terço.

Enfim, pode-se fazer muita coisa, com simplicidade e eficiência, para que a “primeira impressão” seja a melhor possível, como ocorreu comigo em 16 de abril de 1986, quando conheci a Conferência Santo Tomás de Aquino, em Campinas-SP. Foi amor à primeira vista.

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo

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