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Respostas Globais Vicentinas ao Coronavírus

por | abr 3, 2020 | Formação | 0 Comentários

Na Aliança Famvim com as pessoas sem-teto (FHA, siglas em inglês) estamos escutando histórias de como diferentes partes da Família Vicentina estão respondendo às pessoas sem-teto e vulneráveis durante o pandemia do coronavírus. Pedimos ao Pe. Robert Maloney, ex-Superior Geral da Congregação da Missão que escrevesse sobre como São Vicente respondeu às pandemias no seu tempo. Nós esperamos oferecer alguma inspiração e conforto. Nós da FHA queremos escutar suas histórias sobre como vocês estão respondendo. Por favor, publique-as aqui. Ofereceremos mais recursos nessa área, como parte de uma extensão da Campanha “13 Casas”, que começa na próxima semana. Deus abençoe a todos vocês, especialmente aqueles que trabalham nos sistemas de saúde e nos ministérios relacionados.

Reuni algumas ideias que podem ser de alguma ajuda para os participantes da Aliança Famvim  com  as pessoas sem-teto, principalmente agora que estamos enfrentando estes novos desafios criados pela COVID-19. Eventualmente, escreverei um artigo mais detalhado. Mas, como a crise é urgente, estou passando esta síntese. Descrevo como São Vicente reagiu à praga. Espero que esta experiência de São Vicente estimule a reflexão e gere ideias criativas a todos nós, membros da sua Família.

Padre Robert Maloney

Alguns ensinamentos do passado – a experiência de São Vicente de Paulo

São Vicente não lhe era estranho as pandemias. Talvez não houvesse outro assunto em que suas emoções fossem profundamente agitadas. Um várias pestes devastaram a Europa durante anos, tirando a vida de muitos que ele amava. Margarida Nasseau, cuja sua história ele costumava contar e a quem ele considerava como a primeira Filha da Caridade, morreu devido a peste aos 27 anos, mesmo antes das Filhas da Caridade serem reconhecidas juridicamente. Lambert au Couteau – de quem Vicente uma vez dizia “a perda desse homem é como me arrancar um dos meus olhos ou cortar um dos meus braços” e a quem mandou para estabelecer a Congregação da Missão na Polônia – morreu devido a peste em Varsóvia em 1653. Antoine Lucas – muito admirado não só por Vicente, mas também por outros fundadores de comunidades religiosas naquela época – morreu pela peste em Gênova, em 1656.

Tragédias acumuladas na vida de Vicente, especialmente na década de 1650. Ele costumava falar de “guerra, peste e fome” como tormento dos mais pobres. Além disso, houve perseguições em Argel, Tunes, Irlanda e Hébridas. O primeiro mártir da Congregação da Missão, Thaddeus Lye, um seminarista, entregou sua vida em Limerick em 1652. Seus perseguidores esmagaram seu crânio e cortaram suas mãos e pés na presença de sua mãe. Em 1657, depois de ouvir que três padres haviam morrido a caminho de Madagascar, Vicente recebeu a notícia de que seis membros da casa em Gênova haviam sucumbido à peste, ele se descreveu como “oprimido pela tristeza” e acrescentou que “ não poderia receber um golpe maior sem ser completamente esmagado por ele.”

Em suas cartas e conferências, Vicente mencionou a peste mais de 300 vezes. Ele enviou longas cartas oferecendo conselhos práticos sobre como ajudar vítimas de peste a seu amigo, Alain de Solminihac, bispo de Cahors, e aos superiores em Gênova e Roma. Em seus discursos, ele descreveu a peste na França, Argel, Tunes, Polônia e em toda Itália.

As dimensões eram surpreendentes. Somente a França perdeu quase um milhão de pessoas devido a epidemia da peste entre 1628-31. Quase no mesmo período na Itália, 280.000 pessoas morreram. Em 1654, 150.000 habitantes de Nápoles morreram. Argel perdeu cerca de 40.000 pessoas em 1620-21 e novamente em 1654-57.

Gênova foi uma das mais afetadas. Metade da cidade morreu em 1657. A longa lista de membros da Família Vicentina que perderam a vida lá é tocante.

Como se pode imaginar, as Filhas da Caridade e as congregações estavam na linha de frente atendendo às pessoas atingidas pela peste (sem mencionar o serviço prestado àquelas cujas vidas foram interrompidas pela guerra, fome e conflitos políticos ao mesmo tempo). Parte do que Vicente disse aos padres, irmãos e irmãs, bem como às mulheres e homens leigos das associações, é definida pelas circunstâncias da época e pela falta de conhecimentos e recursos médicos que temos hoje. Mas muito do que ele disse e reagiu é bastante relevante aos membros da Família Vicentina que enfrentam o COVID-19.

Quero destacar aqui quatro pontos.

  1. Enquanto lutava com emoções dolorosas, Vicente permaneceu convencido de que, independentemente das circunstâncias, nunca devemos abandonar os pobres.Eles são “nossa porção” na vida, afirmou. Ele foi firme ao dizer aos membros de sua família, que mesmo em circunstâncias extremamente difíceis, devemos ser criativos  ao encontrar maneiras de atender às necessidades do sofrimento. Vicente escreveu a Alain de Solminihac: “As pessoas pobres do campo atingidas pela peste geralmente são abandonadas e com pouca comida. Será uma ação digna de sua piedade, Excelência, providenciar isso enviando esmolas a todos esses lugares. Vejo que eles são postos nas mãos de bons pastores, que terão pão, vinho e um pouco de carne trazidos para que essas pessoas pobres buscassem nos lugares e horários indicados para eles…ou para algum bom leigo da paróquia que pudesse fazer isso. Geralmente, em cada área há alguém capaz de fazer esse ato de caridade, especialmente se não tiverem que entrar em contato direto com os atingidos pela peste.”
  2. A interpretação evangélica dos acontecimentos de Vicente veio à tona rapidamente em estes tempos de crise. Em dezembro de 1657, pensando nos onze membros de sua Família que haviam perdido a vida recentemente, escreveu: “Há tantos missionários que agora temos no céu. Não cabe dúvidas disso, já que todos deram sua vida pela caridade, e não há maior amor do que dar a vida pelo próximo, como Nosso Senhor nos disse e praticou. Se por um lado perdemos algo, ganhamos algo por outro, porque Deus teve o prazer de glorificar os membros de nossa Família, como temos boas razões para acreditar, e as cinzas desses homens e mulheres serão a semente de um grande número de bons missionários. Pelo menos, essas são as orações que te peço que ofereça a Deus”.
  3. Ao aconselhar os membros de sua Família sobre como servir no meio da peste, Vicente escolheu um meio Por um lado, ele orientou que eles ficassem próximos da peste e não a abandonasse; por outro lado, incentivou a Família a observar as precauções que os líderes civis e eclesiásticos estavam recomendando. Ele disse a Etienne Blatiron, superior em Gênova: “A única coisa que eu recomendo com mais sinceridade e fervor é que você tome todas as precauções razoáveis para preservar sua saúde”. Blatiron correu muitos riscos e morreu da peste em 1657. Vicente escreveu a Jean Martin, o superior de Turim: “Me preocupa que você tenha descansado pouco e tenha voltado a trabalhar tão cedo. Em nome de Nosso Senhor, modere o que você faz e obtenha toda a ajuda que puder.” Martin viveu e serviu energicamente até 1694.
  4. Ele expandiu a definição de mártir para incluir todos os que doaram valentemente suas vidas pelos pobres, e nunca deixou de cantar seus louvores. Falando das Filhas da Caridade, ele disse: “Um santo Padre disse uma vez que quem se entrega a Deus para servir ao próximo e de bom grado suporta todas as dificuldades que pode encontrar nisso, é um mártir. Os mártires sofreram mais do que essas irmãs … quem se entregaram a Deus (e) às vezes estão com pessoas doentes cheias de infecções e feridas e, com frequência, fluidos corporais nocivos; às vezes com crianças pobres para quem tudo deve ser feito; ou com pobres condenados carregados de correntes e aflições … São muito mais dignos de louvor do que qualquer coisa que eu possa lhe dizer. Eu nunca vi nada parecido. Se víssemos o local onde um mártir esteve, só o abordaríamos com respeito e o beijaríamos com grande reverência. Considera-os mártires de Jesus Cristo, pois servem ao próximo por amor a Ele.”

Hoje, enfrentamos o que, para a maioria de nós, é uma crise sem precedentes, ao enfrentarmos o COVID-19. Como podemos lidar com isso no espírito de São Vicente? Posso sugerir três coisas, as quais já estão sendo feitas de alguma maneira. Você e sua equipe, bem como os membros de todos os ramos de nossa Família, certamente serão capazes de desenvolvê- lo ainda mais.

  1. Serviço voluntário. Os pobres são os que mais sofrem em crises como essa. Muitas vezes eles estão desempregados. Eles necessitam de hospedagem, comidas e outros serviços Nossa Família tem uma longa história, desde os tempos de São Vicente até hoje, providenciando essas necessidades. Só se pode admirar médicos, enfermeiros, técnicos de urgências médica, visitantes domiciliares e outros que continuam a servir os que sofrem nesse momento.
  2. Doações. Amovimentaçãofinanceiraeoutrosíndiceseconômicoscaíramdrasticamente neste período. Alguns consideram isso um sinal de cautela em fazer alguma doação. Mas as necessidades dos pobres são maiores em tempos como este. Como Família, podemos continuar sendo generosos com os mais necessitados?
  3. Oração. O Papa Francisco e muitos outros líderes religiosos estão convocando-nos a rezar pelas vítimas e pelo fim da Pe. Tomaz Mavric escreveu-nos recentemente para fazer um apelo sincero semelhante. Algumas belas orações foram compostas e estão sendo divulgadas on-line, como a do Pe. Jean-Pierre Renouard. Além disso, posso oferecer uma simples sugestão de São Vicente: “O próprio Deus nos diz: ‘Uma oração curta e fervente penetra as nuvens’ (Eclesiástico 35:21). As orações são uma arma de amor muito agradáveis a Deus e, consequentemente, são altamente recomendados pelos santos Padres que perceberam sua importância. É isso que peço a vocês, minhas irmãs e irmãos

Obrigado, Mark, por todo o trabalho que você e sua equipe estão fazendo para promover a Aliança da Família Vicentina para os sem-teto. Com a pandemia do coronavírus, as necessidades dos sem-teto são mais graves do que nunca e um crescente número de pessoas está se encontrando à beira da falta de moradia. Refletindo sobre um momento semelhante na vida de Vicente, que descrevi acima, um dos principais biógrafos do santo, Pe. José-Maria Román, escreveu: “O ano de 1657 foi ruim para Vicente … Alguns podem ter ficado tentados a dizer que o Senhor estava acumulando catástrofes em Vicente para testar sua coragem e virtude. Mas o velho vigoroso venceu corajosamente todas essas adversidades. E ele ainda tinha espírito suficiente para assumir novos empreendimentos. ”

Estou confiante de que nossa Família em todo o mundo, como São Vicente, enfrentará o desafio do coronavírus com coragem e criatividade.

Você pode baixar este artigo em PDF em inglês, francês, espanhol, italiano, português, alemão ou polonês.

Fonte: https://vfhomelessalliance.org/

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