No próximo domingo, dia 23 de setembro, o Evangelho da santa missa é exatamente o lema da atual gestão do Conselho Geral Internacional da Sociedade de São Vicente de Paulo. A passagem bíblica é extraída de São Marcos 9, 30-37: “Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: ‘O que discutíeis pelo caminho?’ Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!’”.

No Evangelho, o Senhor demonstra uma imensa paciência com os apóstolos. Quando Jesus pergunta ‘O que discutíeis pelo caminho?’, os apóstolos ficam encabulados e nada responderam. Mas Jesus, que conhece o coração e o interior dos homens, já sabia do que se tratava: eles trocavam opiniões sobre quem seria o maior entre eles no Reino do Deus. Jesus não os reprime nem os condena, mas simplesmente aproveita da própria fraqueza deles para ensinar.

E sobre o tema da “grandeza”, o Salvador lhes diz que, no Reino de Deus, os grandes são aqueles que servem aos irmãos. Servir, aceitando o irmão como ele é, é a missão de todo cristão. Servir, ajudando o nosso próximo a se aperfeiçoar para ser uma pessoa melhor, é missão de todo vicentino. Ao servir, estamos praticando as obras de misericórdia e de caridade, e assim ficamos bem mais próximos do Senhor. Assim, o Evangelho deste domingo, em especial, convida-nos a fazer, das nossas vidas, um verdadeiro serviço comprometido aos irmãos mais desfavorecidos.

Outra mensagem forte da Palavra é que não podemos cair nas pretensões pessoais da ambição, da grandeza e do poder terreno, mas somos convidados a fazer da nossa vida um dom de amor aos outros. E os dirigentes vicentinos, que tomam decisões importantes a favor dos pobres, devem ter uma redobrada atenção a esse pedido de Jesus: quer ser o primeiro no Reino de Deus? Então, aqui na Terra, seja o mais humilde, o último, o escravo, e o servo de todos.

Alguns versículos depois (Mc 10, 42-45), o texto ressalta a pretensão humana de Tiago e de João (filhos de Zebedeu) de se sentarem, um à direita e outro à esquerda, no Reino que seria instaurado por Jesus. Certamente, Tiago e João imaginavam que o Reino proposto por Cristo seria algo poderoso e glorioso e, por isto, almejavam, desde logo, lugares de honra ao lado Dele. Jesus foi enfático, mas amoroso como sempre: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

O fato mostra como Tiago e João, mesmo depois de toda a catequese que receberam durante o caminho para Jerusalém, ainda não haviam entendido a lógica do Reino de Deus e também continuavam a refletir e a viver de acordo com a lógica deste mundo. Isso ainda acontece com muita gente, hoje em dia, que, apesar de estar na Igreja há muitos anos, é facilmente levada pelo “pequeno poder”, pela vaidade, pelo ego e pelo orgulho, ao assumirem posições de destaque nas pastorais, movimentos e serviços católicos.

Diante desta pobre manifestação de ambição e honrarias, de privilégios e de primeiros lugares, Jesus não se mostra de forma alguma condescendente, porque toda ambição contraria os fundamentos da sua proposta salvífica. Para fazer parte da comunidade do Reino é preciso, portanto, que os discípulos estejam dispostos a percorrer, com Jesus, o caminho do sofrimento, da entrega, da humildade e da caridade.

“Quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos” é um versículo que deixa transparente que a única grandeza válida aos olhos do Senhor é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, vivendo intensamente as virtudes vicentinas, faz da própria vida um serviço gratuito aos irmãos.  Jesus nos convida a servir e a partilhar com os irmãos os dons, os talentos e os recursos que Deus nos concedeu.

Portanto, a mensagem do Evangelho deste domingo está focada no serviço e indica a porta que nos leva à grandeza evangélica: estar ao serviço do próximo (Mateus 25, 35-45). É a marca da atual gestão do Conselho Geral Internacional da SSVP, é o meu lema em particular e é o convite que faço a todos os dirigentes vicentinos, em todos os escalões de nossa instituição divina, ao assumirem seus mandatos como “dirigentes servidores”, sempre “servindo na esperança” como está escrito na bandeira da SSVP.

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral Internacional

Pin It on Pinterest

Share This