Na carta da Quaresma deste ano, o Pe. Tomaž Mavrič, CM, 24º sucessor de São Vicente, convida-nos a refletir sobre a figura da Virgem Maria na tradição vicentina, como um dos pilares na espiritualidade de São Vicente de Paulo. Ao final da carta, são oferecidos vários links para fazer o download em vários idiomas.

Carta da Quaresma 2018
Maria, modelo preeminente que nos mostra o caminho para chegar a Jesus.

A todos os membros da Família Vicentina

Meus queridos irmãos e irmãs em São Vicente,

A graça e a paz de Jesus estejam sempre conosco!

Com a Carta do Advento de 2016, começamos a refletir sobre os pilares da espiritualidade de São Vicente: a Encarnação, a Santíssima Trindade e a Eucaristia. Nesta carta da Quaresma, meditaremos o quarto pilar, sobre a Bem-aventurada Virgem Maria.

No início desta Quaresma, quarenta dias com Jesus no deserto, gostaria de convidar a cada um de nós para encher o coração de fervor, confiança, disponibilidade e com todo o amor que um filho ou uma filha podem ter por sua mãe. Possamos também assumir, renovar ou aprofundar a nossa constante afeição a seu respeito graças as três etapas que nos ajudarão a nos aproximar de Maria, nossa Mãe do Céu, modelo preeminente que nos mostra o melhor e mais curto caminho para chegar a Jesus, objetivo da nossa vida e do nosso tudo!

A) Rezar o terço diariamente

Com Maria, meditamos as diferentes etapas da vida de Jesus. Maria caminha conosco, nos acompanha, nos encoraja e nos inspira! Aonde quer que vamos, tenhamos sempre conosco um terço, seja no bolso ou na bolsa, em forma de anel ou de pulseira para tê-lo ao nosso alcance em qualquer momento do dia. Podemos rezá-lo na capela, na rua, esperando o ônibus, o metrô ou o trem, conduzindo um automóvel, caminhando, esperando na fila. Tenhamos sempre um terço conosco.

São Vicente expressa sua profunda convicção na proteção de Maria:

Deus concedeu-me sempre a confiança de que ficaria livre, pelas assíduas orações que lhe fazia e à Santíssima Virgem Maria, por cuja única intercessão creio firmemente ter sido libertado”[1].

“… Todos estão passando bem, nos quatro lugares onde se realiza a missão, como também aqui. Parece assim que Nosso Senhor terá piedade desta pequena Companhia, pela intercessão da Santíssima Virgem que mandamos visitar, para esse fim, pelo Padre Boudet, em Chartres”[2].

B) Fazer sempre mais nossas, as virtudes de humildade e castidade, a exemplo de Maria.

São Vicente de Paulo nos deu Maria como exemplo de todas as virtudes, contudo, dentre elas, enfatizou duas em particular: a humildade e a castidade.

Humildade

Entre todas as criaturas do Céu e da terra, não há ninguém mais conhecida, venerada ou que, com tanta frequência, nos foi dada como exemplo. Não há outra pessoa em quem Deus, através de Jesus, tenha depositado mais confiança. Maria jamais pensou, nem mesmo um só instante, que tivesse algum mérito, mas ela considera que todo o seu ser e tudo o que possui é graça, dom, sinal de misericórdia vindos da parte de Jesus. A mãe está abaixo do seu Filho, e não acima dele. Maria deu à luz a Jesus, cuidou d’Ele desde a manjedoura, trocou as fraldas, amamentou e o educou até atingir a idade adulta. Em tudo o que Maria fez e faz ainda hoje, ela nos leva sempre para Jesus.

“…recorrei à Santíssima Virgem, pedindo-lhe que vos obtenha do seu Divino Filho, a graça de participardes da sua humildade que a impeliu a chamar-se escrava do Senhor no momento em que era escolhida para Mãe de Deus. O que foi que levou Deus a contemplar a Virgem? Ela própria o disse: ‘A minha humildade’. Deixo isto à vossa consideração, tendo a Santíssima Virgem tanto amor à humildade, alcançará do Senhor esta graça àquelas que lha pedirem!”[3]

Castidade

Jesus nos dá a chave para saber viver a pureza do pensamento, da palavra e da ação. Jesus nos pede para permanecermos atentos: “Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isto sim o torna impuro” (Mateus 15,11). Tudo começa em nosso coração e na nossa mente.

Peçamos a Jesus para que esteja, desde o início, presente em nossos pensamentos, sentimentos e ideias, e nos ajude a filtrá-los através dos seus pensamentos, suas atitudes e ações. Logo, o que procede dos nossos pensamentos se manifestará através das palavras e ações que refletirão os comportamentos, os sentimentos e os pensamentos de Jesus. Assim sendo, a pureza estará presente e será experimentada em nossa vida.

Tende especial devoção à direção exercida pela Santa Virgem sobre a pessoa de Nosso Senhor e tudo irá bem”[4].

De outro modo, os pensamentos, sentimentos e ideias que não são filtrados por Jesus nos conduzirão à direção oposta. Ficaremos vulneráveis à influência do maligno, cujo objetivo está claro: destruir em nós tudo o que vem de Deus; destruir nossa relação com Jesus. Satanás quer colocar-se no lugar de Jesus e influenciar os pensamentos de onde surgem nossas palavras e ações, de modo que, através da nossa oposição à castidade e à pureza, deformemos nosso belo ser, nosso bom coração criado a imagem de Deus.

“ … o segredo de vosso coração, que eu desejo na verdade seja todo de Nosso Senhor, e peço à Santíssima Virgem tomá-lo e levá-lo até ao céu e colocá-lo junto ao seu e ao de seu caro Filho”[5].

C) Divulgar a mensagem e propagar a devoção à Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, com um zelo renovado.

Depois da Cruz, a Medalha Milagrosa é o símbolo cristão mais difundido no mundo. No entanto, muitas pessoas ainda não tiveram a ocasião de conhecê-la, de descobrir a mensagem de Maria, de receber e usar a Medalha. Por isso, elas não pedem as graças que têm para receber de Jesus, como Maria ensinou à Santa Catarina Labouré, Filha da Caridade, durante as aparições de 1830, na Capela da Casa Mãe, na rua du Bac, em Paris.

Vinde aos pés deste altar, aqui as graças serão derramadas sobre todas as pessoas que as pedirem com confiança e fervor”.

Os raios são símbolos das graças que derramo sobre as pessoas que m’as pedem”.

Nesta Quaresma, gostaria de convidar a refletir, rezar e estudar as possibilidades disso em todos os nossos locais de serviço: paróquias, hospitais, dispensários, escolas, universidades, missões e missões paroquiais… Em outras palavras, onde a Medalha Milagrosa não é conhecida, onde as pessoas ainda não a receberam, coloquem em prática as seguintes ações:

  1. Distribuir Medalhas Milagrosas;
  2. Dar Medalhas, acompanhadas de um folheto com breves explicações da história e da mensagem da Medalha Milagrosa;
  3. Criar um grupo local da Associação da Medalha Milagrosa que fará parte da Associação Internacional da Medalha Milagrosa, ramo da Família Vicentina presente em muitos países do mundo.

Encorajem a fundação de um novo grupo da Associação da Medalha Milagrosa na sua paróquia com a permissão do pároco, nos hospitais, nos dispensários, nas escolas e nas universidades com os funcionários, professores e alunos, durante as missões paroquiais e em outras missões, nas quais os diferentes ramos da Família Vicentina participam através da organização e coordenação… Convidem as pessoas para fazerem parte e se tornarem membros do grupo.

Em muitos países onde a Associação da Medalha Milagrosa está presente, há um Conselho Nacional que a coordena e reúne todos os diferentes grupos existentes no país. As Associações Nacionais da Medalha Milagrosa estão vinculadas à Associação Internacional da Medalha Milagrosa, coordenadas por um Subdiretor, o Padre Carl Pieber, CM. Pela adesão à Associação da Medalha Milagrosa, os membros se apoiam mutuamente através da oração, comprometem-se com a divulgação da Medalha Milagrosa e praticam gestos de solidariedade.

Para realizar isto, o Secretariado Internacional da Associação da Medalha Milagrosa ajudará com prazer aqueles que precisarem de apoio, de informações ou sugestões para começar um grupo local. Se no país onde se deseja criar um novo grupo da Associação da Medalha Milagrosa já existam outros grupos ou uma estrutura nacional da Associação, o Secretariado Internacional colocará em contato uns com os outros. Se no país não existe uma estrutura nacional ou grupos locais, o Secretariado Internacional da Associação fornecerá todas as orientações necessárias para começar um novo grupo.

A Associação Internacional da Medalha Milagrosa tem uma página web em seis idiomas, onde se encontram muitas informações, incluindo as etapas para começar um novo grupo. O endereço do site é: www.amminter.org. Em caso de necessidade para qualquer tipo de assistência, favor escrever para: mmainfo@famvin.org.

Ao refletir sobre a criação de novos grupos da Associação da Medalha Milagrosa em um determinado país, lembremo-nos que o desejo profundo de Maria é propagar a Medalha Milagrosa até os confins da terra. Nossa Senhora nos assegura que, se pedirmos as graças a Jesus, nós as receberemos! Entremos nesta aventura maravilhosa, sejamos a voz de Maria que expressa o amor incondicional de Jesus a cada pessoa em particular, com palavras e ações.

“Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. As graças serão abundantes para as pessoas que a usarem com confiança”.

Que os quarenta dias com Jesus no deserto produzam abundantes frutos. Que os quarenta dias com Jesus no deserto possam renovar e tornar mais profunda a nossa relação com Maria, nossa Mãe do Céu, e nos aproximar cada vez mais dela.

  1. rezemos o terço diariamente;
  2. façamos sempre mais nossas, as virtudes de humildade e castidade, a exemplo de Maria:
  3. divulguemos a mensagem e propaguemos a devoção à Nossa Senhora da Medalha Milagrosa com zelo renovado;

Que os quarenta dias com Jesus no deserto possam renovar o nosso coração e nos abrir às “ressurreições” diárias, isto é, passar da morte à vida em vista da nossa Ressurreição final!

Seu irmão em São Vicente,

Tomaž Mavrič, CM
Superior geral

Notas:

[1] SV, vol. I, pág.7; Carta 1 ao Senhor de Comet em Dax

[2] SV, vol. I, pág. 402-403; Carta 249 a Roberto de Sergis, em Amiens, novembro de 1636.

[3] SV, conf, de 14 de julho de 1658, sobre a humildade, a caridade, a obediência e a paciência, (Regras Comuns, artigo 42), pág. 801.

[4] SV, vol. II, pág. 154; Carta 488 a Jacques Chiroyer, em Luçon, de outubro de 1640.

[5] SV, vol. I, pág. 81; Carta 36 a Luísa de Marillac [cerca de 1629].

 

 

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