Metanoia: uma mudança de coração transformadora;

e especialmente: uma conversão espiritual

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Por:  Cristine B. Amontos

Tudo começou na Escola de Teologia São Vicente (SVST) no ano de 2010, quando comecei a graduação em Ministério Pastoral. Me apresentaram uma nova forma de fazer teologia e abracei minuciosamente o processo de desconstrução a reconstrução. Através da forma de fazer teologia vicentina estava exposta ao mundo real da pobreza e a marginalização em nossa sociedade.

Como estudante de SVST, eu e meus companheiros de aula vivemos uma imersão no depósito de lixo Payatas durante um ano, em que na realidade a pobreza penetrou por todo meu ser. O Diálogo da Vida me permitiu experimentar as diferentes formas de injustiça e marginalização. Durante as sessões eclesiais de base comunitária (BEC), os pobres expressavam abertamente suas dores e lutas. Eu estava imerso realmente na comunidade e o grito das pessoas ali se converteram em minha inspiração para continuar a viagem. Depois de ter-lhes escutado, comecei a me perguntar sobre as diversas formas de injustiça e desigualdade que desfiguram a dignidade dos pobres. A imersão coloca maiores desafios sobre como ajudar eficazmente aos que vivem nas sarjetas, dadas às estruturas sociais injustas em nossa sociedade. Pouco a pouco, minha perspectiva de serviço mudou. É é verdade, a mudança estava me machucando, a mim e as pessoas que me trouxeram a SVST. Para alguns, foi uma rebelião; mas, para mim, foi uma conversão. Foi minha experiência metanoia.

Minha vida mudou desde que me coloquei à disposição de estudar teologia desde, com e para às periferias, a maneira de fazer teologia Vicentina. Me aproximei mais da espiritualidade e do carisma vicentino. Me apaixonei por São Vicente de Paulo. Seu coração para os mais pobres me inspirou a seguir seus passos. Sua própria experiência metanoia me afirmou para elevar-me a maiores alturas e ser uma mulher cuja voz se possa escutar em uma sociedade dominada pelos homens. Como disse Vicente de Paulo em certa ocasião: “O amor é inventivo até o infinito” e, assim, me permiti ser transformada, pelo bem dos que não tem voz.

Apaixonar por Vicente me levou a caminhar pelo caminho da evangelização e da caridade. De todo coração, o Departamento do Instituto para a Educação Religiosa (IRED) da Universidade Adamson tornou-se minha comunidade. Me ensinou teologia seguindo o método de ver – discernir – atuar, que aumentou ainda mais minha paixão por servir aos mais pobres. Ka-Enteng (como chamam carinhosamente a São Vicente de Paulo) me abriu amplamente a porta para unir-me a Missão Popular Vicentina da Universidade e da Congregação.

A Missão Popular Vicentina me trouxe ao mundo do serviço voluntário aos pobres. Sou uma missionária leiga vicentina voluntária, que deseja acompanhar o povo de Deus peregrino nas periferias. Minha primeira experiência de missão foi em Tugop, Tanuan, Leyte em 2014, onde os missionários vicentinos de Adamson escolheram estar em solidariedade com as vítimas do tufão Haiyan. Foi muito difícil escutar a tantas almas devastadas. Estar com eles foi minha expressão definitiva de solidariedade. Estavam traumatizados, doloridos, apenas sobrevivendo de sua fé. Dou graças a Deus pelo dom da música, já que ajudou as pessoas e às crianças em seus tempos de prova. Apesar do cansaço do corpo, estava agradecida porque havia compartilhado o dom da música, a música que acalmou os corações doloridos do povo de Deus. A misericórdia e a compaixão de Deus renovaram lentamente sua fé instável.

Minha participação na Missão Popular Vicentina continuou depois de Leyte. Deus me aproximou a outras quatro ilhas que estavam deprimidas nas Filipinas. As diversas ameaças nas regiões das missões, como a presença de radicais esquerdistas, de pobreza extrema, as caminhadas largas e desgastantes em territórios inexplorados e os indiferentes líderes da comunidade, não me impediram de caminhar com o povo. O melhor foi que aprendi muito com as pessoas que servi. Meu amor pela missão me ajudou a suportar as lutas e as dificuldades de minha vida pessoal. Igual que para Vicente de Paulo, o encontro com os mais pobres me levou mais próximo de Deus. Os pobres me evangelizaram. Foi uma benção caminhar com eles em sua difícil situação, porque lembrei de que podia vencer minhas próprias adversidades. Vicente de Paulo disse: “Ide aos pobres. Os pobres têm muito a nos ensinar”. Em experiências parecidas, durante minha imersão em Payatas, meu encontro íntimo com Deus aconteceu quando eu havia vivido com os pobres. Inclusive depois do serviço de missão, estou colocando todos os meus esforços em praticar diariamente as virtudes missionárias da simplicidade, da humildade e zelo.

Segundo Vicente de Paulo, “Não é suficiente fazer o bem. Há que fazê-lo pelo bem dos mais pobres”. Na atualidade, estou optando por fazer trabalho voluntário nos Serviços Integrais de Extensão Comunitária (CIEM) da Universidade Adamson. Ao acreditar na formação vicentina, estou fazendo uma preparação intensiva para poder ser uma Voluntária Vicentina eficaz para o mundo. Confio que, através deste trabalho voluntário, serei mais como Vicente de Paulo, crescendo no amor aos mais pobres, que são nossos mestres e senhores.

Uma música diz: “Por ti, minha vida mudou. Obrigado pelo amor e pela alegria que trás contigo. Por ti, não temo culpa alguma. Digo ao mundo: é graças a ti”. Estes versos cativaram meu compromisso como voluntária missionária leiga e vicentina. Estes versos parafraseiam minha metanoia.

Traduzido por Andrés Peixoto

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