Conversa com o Presidente Geral Internacional da Sociedade de São Vicente de Paulo. Entrevista ao “L’Osservatore Romano”

Os pobres, o meio ambiente e os projetos sociais, mas também os jovens, a organização e a presença renovada…esses são alguns dos temas tratados durante a visita a Itália do Presidente Internacional da Sociedade de São Vicente de Paulo, Renato Lima de Oliveira, que participou de uma reunião da junta nacional da SSVP, celebrada em Roma, e que reuniu a dezenas de representantes das Conferências Regionais.

Em conversa com o “L’Osservatore Romano”, Lima de Oliveira, no cargo desde 2016, fez um balanço da sua presidência geral e falou dos seus planos para os próximos três anos.

“Agradeço ao presidente nacional Antonio Gianfico e seu grupo de trabalho que foram traçando os caminhos de acordo com os objetivos da sociedade internacional, desde a sensibilização e desenvolvimento de uma consciência de um associacionismo leigo até o esforço por adaptar seus estatutos as novas leis italianas”, disse, entre outras coisas, sublinhando o trabalho da Federação Nacional Italiana da Sociedade de São Vicente de Paulo que sempre desenvolve campanhas, projetos e comunicados.

Que importância tem a palavra de colaboração para a Sociedade de São Vicente de Paulo, presente em tantas partes do mundo?

É esencial. Todos somos voluntários e trabalhamos sem receber salário ou reembolso. Por isso, cremos que trabalhar junto pelos pobres é a maior força de nossos grupos e de cada ramificação dos vicentinos. A colaboração está em nosso sangue, em nosso DNA. Um vicentino que colabora com a Igreja, os políticos, a imprensa e tudo o que pode ajudar, não poderia chegar a fazer tantas coisas. Sozinhos não podemos fazer nada. Temos que buscar outros grupos, outras pessoas e outras organizações para melhorar a vida das pessoas, porque a miséria é realmente muito grande. Y não só falo da pobreza material, mas também da pobreza espiritual.

Qual o desejo para 2020?

Este ano trabalharemos na saúde mental. Além disso, estudamos a obra de um de nossos sete fundadores e, em 2020, nos aprofundaremos na vida de Felix Clavé, que sofria depressão, assédio e drama de um amor não correspondido. Era como nós: era um fundador, um santo, mas não incansável ou imbatível. Os vicentinos este ano se centram nesta direção para abordar os problemas de depressão, das drogas, o suicídio e a melancolia. Estas são novas formas de pobreza. São misérias espirituais que estão destruindo as famílias e os jovens. A gente já tem esperança, já não quer nada, as famílias já não querem ter filhos. É assim em todo o mundo, mas se seguimos nesta linha, o mundo se acabará. Os vicentinos devem redimir esta dignidade de espirito dentro das famílias, especialmente as mais pobres.

Qual é a lembrança mais bonita que você tem destes anos da SSVP?

O sorriso de cada vicentino. Creio que um vicentino triste não é um vicentino. Quando chegamos a casa do pobre, o primeiro que damos é o nosso sorriso. Creio que isso é caridade. A caridade não é só oferecer um pacote de comida, roupa ou sapatos. Tudo para mim é caridade, especialmente um sorriso. Se o mundo sorrisse mais, certamente seria melhor.

Há alguma experiência que tenha transformado a sua vida?

Quando fui a primeira vez a casa de uma família pobre no Brasil, foi amor à primeira vista. Tinha 15 anos. Neste momento, disse a mim mesmo que isso era o que eu tinha querido toda minha vida: servir a Cristo e servir a Igreja desta maneira. A Igreja oferece muitas opções: atenção pastoral, movimentos, serviços. Mas pela caridade, a oração, a amizade, a fraternidade e o crescimento espiritual fiquei na Sociedade de São Vicente de Paulo. Creio que todos estes elementos nos unem e por isso me sinto parte disso. Essa família pobre marca minha vida porque desde então me disse: “Este é meu lugar, esta é minha vida, quero ficar aqui até que morra”.

Falamos dos novos projetos que estão a ponto de começar….

Temos muitos. Há planos para expandir a Sociedade de São Vicente de Paulo a, pelo menos, quinze países. Temos muitas iniciativas que visam os jovens, porque em muitos países nossa instituição tem poucos membros. As novas gerações poderiam renovar nossa Sociedade. Publicaremos mensalmente e junto aos sacerdotes, trabalharemos com os jovens que estão a ponto de receber o sacramento da confirmação, assegurando-nos que se unam a grupos vicentinos. A instancias de conselho espiritual nacional, o padre Francesco Gonella, temos a intenção de preparar um encontro internacional para discutir como fortalecer a formação juvenil.

Fonte: https://ssvpglobal.org/

Pin It on Pinterest

Share This