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As informações corretas o conflito em curso na Ucrânia

por | mar 25, 2022 | Crise na Ucrânia, Notícias | 0 Comentários

“Quando chega a guerra, a primeira baixa é a verdade”: este ditado é atribuído ao senador americano Hiram Johnson em 1917, no auge da 1ª Guerra Mundial. Anos mais tarde, durante a 2ª Guerra Mundial, o britânico Winston Churchill disse que “em tempo de guerra, a verdade é tão preciosa que deveria ser protegida por um guarda-costas contra as mentiras”. Um século se passou desde que foram proferidas essas frases, e mais do que nunca, hoje, podemos medir as consequências que elas têm, dado o imenso avanço das comunicações globais e o acesso quase instantâneo a dados e eventos em qualquer parte do mundo.

Tais decisões nos dizem que existe uma área – a própria informação e o acesso a ela – que nenhum lado beligerante em uma guerra pode ignorar se quiser impor sua visão a seu povo. Putin está bem ciente disso e, como notamos na semana passada, cortou a capacidade do povo russo de obter informações de outras fontes além das “fontes oficiais” do Kremlin. Desta forma, ele pode impor (ou pelo menos tentar impor) sua visão parcial dos porquês e o desenvolvimento desta invasão vergonhosa.

A relevância da comunicação no contexto da invasão da Ucrânia

Evidentemente, os imensos avanços no campo das comunicações tornaram a situação atual significativamente diferente da das duas guerras mundiais do século 20. Naquela época, eles usavam meios que hoje nos parecem arcaicos (pombos-correio, telégrafos, correios…), enquanto hoje a informação voa através de comunicações criptografadas por meio da rede de satélites que circundam nosso planeta, e graças aos smartphones com conexão à internet. Informações que poderiam então levar dias, semanas ou até meses para se difundir, hoje chegam a qualquer parte do globo em poucos segundos. Isto também trouxe consigo problemas, entre eles:

  1. as chamadas “fake news”  (notícias falsas ou fabricadas), ou seja, inundam as redes com informações falsas, boatos ou notícias tendenciosas, a fim de distorcer a opinião pública e a verdade; e
  2. impedir o acesso a informações verdadeiras e oficiais.

Estas duas questões são vitais para controlar a “narrativa” da invasão da Ucrânia e de tantos outros conflitos no mundo de hoje.

Poderíamos nos perguntar quais informações estamos recebendo, dependendo de onde moramos:

  1. Na grande maioria dos países em todo o mundo, a internet continua sendo um recurso de informação livre.
  2. Tanto quanto sabemos, as pessoas na Ucrânia ainda podem acessar qualquer fonte de informação, e o governo não está filtrando a internet para limitar o acesso. Isto é bom, apesar dos ataques às antenas de comunicação por parte dos militares russos.
  3. O povo da Rússia sofre intensa censura de suas fontes de informação. O governo russo proibiu não apenas os meios de comunicação, mas também os websites e as redes sociais globais da internet. O Kremlin está tentando esconder, dos cerca de 122 milhões de usuários de internet da Rússia, o fato de que a guerra não correu como planejado. De acordo com o Open Observatory on Network Interference, a Rússia censura websites de diferentes maneiras: emitindo uma lista de sites para que os provedores de internet se bloqueiem, ou restringindo os serviços a partir do governo central. Assim:
    1. As redes sociais Facebook, Instagram e LinkedIn estão censuradas.
    2. TikTok e Twitter têm acesso restrito.
    3. Há alguns dias, lemos que o YouTube também está sendo observado pelo Kremlin e muito provavelmente será censurado em breve.
    4. WhatsApp e Telegram ainda estão funcionando, pelo menos por enquanto.
    5. Os principais portais de notícias internacionais foram bloqueados em território russo.
    6. Meios de comunicação independentes, em russo (ou seja, não governamentais), como a Current Time TV, ou o portal de notícias Meduza, foram bloqueados.

Para todos os fins práticos, isto significa que a grande maioria do povo russo só pode aprender sobre a realidade da invasão por meio da mídia pró-governamental, cuja visão parcial é de conhecimento comum. Apenas uma pequena fração dos russos, com conhecimento suficiente para utilizar as chamadas Redes Privadas Virtuais (VPNs), são capazes de acessar notícias que não estão de acordo com a interpretação do Kremlin. Os cidadãos de bem da Rússia também são muito prejudicados com essa guerra de narrativas.

Poderíamos então dizer que há outra guerra (a guerra da contrainformação), paralela à guerra no solo, que também está afetando milhões de pessoas, desta vez a população russa também.

Quando ouvimos que Volodymir Zelensky, o presidente ucraniano, “ganhou a batalha da narrativa” sobre Putin, é, entre outras coisas, porque Zelensky conseguiu usar a mídia, às vezes em situações precárias, e informar o mundo inteiro sobre os eventos que estavam acontecendo em seu país, acompanhando suas palavras com imagens e vídeos de inegável crueza.


Não há nada de bom na ignorância. Todos nós temos o dever de buscar a verdade, e nenhum governo tem o direito de esconder a verdade, muito menos de impedir seu povo de acessá-la.

De nossa parte, nós temos que buscar, defender e proclamar a verdade. É por isso que não somos indiferentes ou neutros, não podemos permanecer em silêncio ou cair em uma espécie de “fadiga de compaixão”, isolando-nos em nossas confortáveis bolhas e ignorando fatos que – pode parecer – não nos afetam diretamente. Mas vamos refletir sobre isso em outro dia.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (São João 8, 32)

Comissão de Comunicações da Família Vicentina.

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