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Como conciliar Mudança Sistêmica e uma “cultura do encontro”?

por | out 4, 2020 | Formação | 1 Comentário

Na verdade, trata-se de um artigo “retirado” do ex-superior geral Robert Maloney. Ele apresenta trechos de uma longa reflexão para a Aliança FamVin com os sem-teto. Ele escreve…

Nos últimos anos, o Papa Francisco iluminou três temas que tem uma enorme importância para a Família Vicentina.

Em primeiro lugar, declarou repetidamente, como o fez São Vicente, que os Pobres são um presente para nós e que temos que nos deixar evangelizar por eles.

Em segundo lugar, o Papa Francisco enfatizou com frequência a necessidade de uma mudança estrutural ou sistêmica. Em sua encíclica Laudato Si, ele sublinhou inúmeras vezes como “tudo no mundo está conectado”, um tema que a Comissão da Família Vicentina para promoção de Mudança Sistêmica vem acentuando em todas as reflexões.

Falando na Bolívia em julho de 2015, o Papa Francisco fez um apelo dramático a favor da Mudança Sistêmica.

Existe uma ameaça invisível ligada a cada uma destas formas de exclusão; podemos reconhecê-la? Estes não são problemas isolados.

… não tenhamos medo em dizer: queremos mudança, mudança real, mudança estrutural. Este sistema já é intolerável.

… há um senso geral de insatisfação e até de dependência. Muitas pessoas estão esperando uma mudança capaz de libertá-las da escravidão do individualismo e da dependência que isto produz.

Em terceiro lugar, o Papa Francisco exortou a sociedade contemporânea a criar uma “cultura do encontro” e uma “cultura do diálogo”, onde estejamos preparados não somente para dar, mas também para receber de outros (Francisco, 17 de janeiro de 2016).

Continua com três princípios.

1. Oferecer amizade

Um dos principais presentes que podemos dar aos outros é a amizade. É parte integral da espiritualidade da misericórdia que Jesus esboça na cena do juízo, em Mateus 25,31-46.

Em nossa Família, Vicente nos chama a tratar aqueles que servimos, não como “os pobres”, mas como pessoas. Nos pede que os tratemos, não como clientes, mas como amigos a quem amamos profundamente.

Ao final, todo bom cuidado é relacional. Oferecemos às pessoas não só alojamento, mas também hospitalidade. Os visitamos em suas casas. Estendemos a mão em sinal de amizade.

2. Proporcionar um serviço holístico

A falta de moradia afeta a pessoa num todo, física, psicológica, emocional e relacionalmente. Todos nós experimentamos o quão profundas são as feridas dos marginalizados. Muitas pessoas sem moradia sofrem o estigma do preconceito dentro de seu próprio país ou em terra estrangeira. Muitos encontram-se isolados e solitários. Alguns lutam com problemas psicológicos, de drogas ou álcool. Alguns não falam muito bem o idioma local. Muitos tem problemas legais ou médicos. Muitos sofrem de depressão e perderam a alegria de viver.

O serviço holístico é fundamental para a mudança sistêmica. Tudo está conectado a todo o resto. Quando um elemento individual de um sistema se rompe, todos os demais são igualmente afetados.

3. Servir como defensores

Uma abordagem sistêmica pede-nos que nos coloquemos do lado dos sem-teto como seus defensores: defensores que se esforçam para eliminar os preconceitos, defensores que se esforçam para ganhar o apoio dos governos e das fundações, defensores que se esforçam para reuni-los com suas famílias e com as comunidades que podem tê-los isolado.

Neste ponto, permitam-me simplesmente salientar que muitas das estratégias formuladas pela Comissão da Família Vicentina para a Promoção de Mudança Sistêmica coincidem com as melhores práticas formuladas pelas organizações que tem êxito na defesa dos sem-teto.

Perguntas básicas

  • Como ofereço amizade?
  • Estou preparado para oferecer um serviço holístico?
  • De que maneira sirvo como defensor dos Pobres?

Este post foi publicado pela primeira vez em Vincentian Mindwalk

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1 Comentário

  1. Maria Aparecida Lobo

    Fiquei feliz ! Costumo não fazer alguma vizitinha e levar algo. Prefiro ser amiga daquela família, participar dela, recebe-la em minha casa. Dependendo do caso, é reciproco: ajudamos uns aos outros.
    Mas o que gosto mesmo é de participar de grupos, comunidades, movimentos de base onde se vive: solidariedade, fraternidade, partilha, justica, paz, partilha, ajuda mútua.

    Responder

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