No dia 5 de outubro reuniram-se o Santuário de Fátima os vários Ramos da Família Vicentina presentes em Portugal: Congregação da Missão (Padres Vicentinos), Filhas da Caridade (Irmãs Vicentinas), Associação Internacional da Caridade, Juventude Mariana Vicentina (JMV), Associação da Medalha Milagrosa, Sociedade de São Vicente de Paulo (Conferências Vicentinas) e Colaboradores da Missão Vicentina. A Família Vicentina, que mundialmente agrega mais de 150 Ramos diferentes, é composta pelas associações, movimentos, institutos e congregações que seguem o carisma transmitido por São Vicente de Paulo.

A manhã teve início no auditório do Centro de Pastoral Paulo VI, com uma conferência a cargo do Frei José Nunes, op, sobre “A Missão num mundo descristianizado”. O Frei dominicano começou por fazer um retrato da vivência da fé na Europa, onde a cultura foi marcada pelo Cristianismo, mas que agora está muito secularizada. Recuando alguns séculos, destacou a resposta da Igreja ao humanismo, ao avanço científico e aos “mestres da suspeita”, que se viu perante uma perda de poder e da influência. Por outro lado, apresentou os vários “mundos” em que devem incidir a tarefa evangelizadora da Igreja: a missão ad gentes (onde Cristo e o Seu Evangelho não são conhecidos; em segundo lugar, as comunidades cristãs, onde a Igreja exerce a sua atividade e acompanhamento pastoral; finalmente, a tarefa evangelizadora deve também chegar junto das comunidades com raízes cristãs, mas onde os membros não se consideram parte da Igreja por terem perdido o sentido vivo da fé. Finalmente, o Frei José Nunes, op, partilhou com os presentes que a modernidade e o mito do progresso não trouxeram a anunciada felicidade e, por isso, continuamos a dispor de uma grande oportunidade para o anúncio do Evangelho. Esse anúncio deve passar pela proximidade e pelo diálogo e deve incluir o diálogo com a cultura, com as outras religiões e um forte interesse social e transformador da realidade.

Após um momento musical, a cargo do Coral Vicentino de Chaves, seguiu-se a segunda conferência, a cargo do Padre José Alves, cm, sobre “Os atuais desafios à evangelização e a inspiração em São Vicente de Paulo”. O provincial dos padres vicentinos iniciou a sua exposição partindo de São Vicente de Paulo – o homem e o contexto – e, a partir daí, explorou o caminho traçado pelo santo patrono de todas as obras de caridade como caminho que ainda hoje é modelo para todos os que vivem a espiritualidade vicentina. Em primeiro lugar, apontou a oração como força propulsora para a missão evangelizadora. Com efeito, hoje como ontem, ninguém pode falar de Deus, se não passar por uma autêntica experiência de Deus. Isto só se faz na oração, no silêncio do coração, no olhar atento e interpelativo a tudo o que nos rodeia com olhar de Deus”. Em segundo lugar, destacou a universalidade da caridade (que tradicionalmente estava ligada a uma elite) e a proximidade como regra essencial para a evangelização. Outra regra para a missão é a ousadia, a coragem, a imaginação e a criatividade. Nesse ponto, o Pe. José Alves, cm, apontou, por exemplo, o papel atribuído por São Vicente de Paulo à mulher, inovador à época, bem como a aposta no trabalho dos leigos. Finalmente, partindo também de São Vicente de Paulo, incentivou os vicentinos a um trabalho de observação, enquanto fonte de aprendizagem e não de repetição. Conclui, referindo que hoje, como no século XVII, é absolutamente indispensável o encontro pessoal com Cristo para a Missão. O sacerdote, o catequista, o visitador de doentes, o animador do grupo de jovens, se não passa por esta experiência, acaba por reduzir a sua ação a uma espécie de “ocupação de tempos livres”. A Missão só tem êxito com homens e mulheres de oração, contemplativos, perscrutadores do Mistério de Deus em si, nos homens, e no mundo.

A manhã terminou com a apresentação da música “Somos todos missão nesta terra” (vencedora do Festival da Canção da JMV e representante da Diocese de Viseu no Festival Nacional da Canção de Mensagem), entoada pelo grupo JMV de Orgens (Viseu) e com uma atuação final do Coral Vicentino de Chaves, que brindou os presentes com algumas modas de origem transmontana.

A parte da tarde iniciou com a celebração da Eucaristia na Capela da Morte de Jesus, presidida pelo Senhor Bispo Dom Augusto César, Bispo Emérito da Diocese de Portalegre – Castelo Branco, e animada pelo grupo coral das paróquias vicentinas de Felgueiras, coordenadas pelo Pe. Albertino Gonçalves, cm. Na sua homilia, o Senhor Bispo destacou o trabalho realizado pela Família Vicentina e animou os vicentinos a aprofundar a missão evangelizadora.

Após a Eucaristia, a Família Vicentina voltou os olhos para a Mãe do Céu e rumou à Capelinha das Aparições, para rezar o Rosário, presidido pelo Pe. Álvaro Cunha, cm, e animado pela JMV Cucujães (Oliveira de Azeméis). Conforme pedido pelo Papa Francisco, rezámos para que o sopro do Espírito Santo suscite na Igreja uma nova primavera missionária. No final da tarde, antes do envio, a Família Vicentina ainda reunida na Capelinha das Aparições rezou a oração proposta pelo Papa Francisco para o Ano Missionário Extraordinário e pediu a intercessão de Nossa Senhora do Rosário de Fátima junto do Pai, para que nos conceda a graça de sermos testemunhas do Evangelho, corajosos e vigilantes, afim de que a missão confiada à Igreja encontre novas e eficazes expressões que levem vida e luz ao mundo.

A Equipa Nacional da Família Vicentina

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