Se você acha que ação caritativa vicentina é a mesma, desde a fundação de nossa entidade, em 1833, está enganado. A cada época, o trabalho vicentino vem se adaptando à realidade existente, em cada região do mundo e com iniciativas distintas. Hoje em dia, os problemas que se apresentam às Conferências Vicentinas são mais desafiadores e exigem dos confrades e das consócias um preparo diferenciado, sempre com muita criatividade.

Vivemos num mundo egoísta e consumista. O meio ambiente é contaminado. As pessoas se afastam da Igreja. A família foi destruída pelo divórcio. O desemprego e a falta de educação agravam a crise social. Nesse cenário inóspito estão inseridas as Conferências Vicentinas, que precisam ser inovadoras para ajudar, com mais eficiência, as pessoas que sofrem.

Por exemplo: alguém tem dúvidas que a inclusão digital é uma contribuição efetiva da SSVP para reduzir a pobreza? É por isso que as várias Conferências e até Conselhos têm montado telecentros de informática em suas sedes, geralmente ociosas boa parte do mês. Outra ideia interessante é o microcrédito, que permite aos assistidos gerarem renda a partir de pequenos empréstimos, com juros baixos. Um Conselho Central da região Centro-oeste já firmou convênio com uma entidade nesse sentido.

E as ações conjuntas com os outros ramos da Família Vicentina? Alguém tem dúvida que essa união de forças não seria benéfica aos pobres? Em várias cidades, por conta da unidade com a Família Vicentina, diversos projetos sociais, em bairros periféricos, têm sido bem-sucedidos, produzindo excelentes resultados. Não podemos nos esquecer da União Fraternal entre Conferências Vicentinas, que também ajudam a “fazer caridade”, além das fronteiras de nossa paróquia.

Para potencializar a ação vicentina, foram criadas Obras Unidas e Obras Especiais que, sem sombra de dúvidas, complementam o trabalho realizado junto aos mais carentes: escolas, centros comunitários, creches, lares de idosos, dispensários, hospitais, orfanatos, entre tantos outros empreendimentos sociais. Além de nossas obras, a SSVP vem se abrindo para parcerias com empresas privadas, outras igrejas cristãs, convênios com órgãos governamentais e com entidades do Terceiro Setor, visando ampliar a ação caritativa, como estimula a nova Regra. Sozinhos, não vamos resolver a questão da miséria no mundo. Já dizia o decano confrade Furtado de Menezes: “O vicentino não é responsável para acabar com a miséria do mundo, mas torna-se responsável por todo aquele pobre que Cristo coloca no seu caminho”.

Por tudo isso, é que os confrades e as consócias não podem negligenciar em sua formação cristã e humana. Participar de eventos de espiritualidade e dos cursos de formação é, na verdade, condição fundamental para que os vicentinos estejam adequadamente preparados para vencer as novas formas de pobreza.

Além disso, os vicentinos precisam estar atentos às notícias que são veiculadas nos meios de comunicação a fim de estarem bem informados sobre temas socioeconômicos, pois da correta interpretação desses dados, poderemos direcionar melhor o trabalho das Conferências. Conhecer o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pela Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, nos ajuda a identificar melhor as áreas de pobreza, num determinado Estado ou município.

Desta forma, caros confrades e consócias, é preciso ficar bem claro que o vicentino do Século XXI é diferente dos nossos antepassados. Não podemos “fazer caridade” da mesma forma que há 10, 20 ou 50 anos. Tudo mudou: a tecnologia, as relações de trabalho, a família, a mídia, a sociedade como um todo. Assim também deve mudar a SSVP, sem, contudo, abandonar seus princípios, seu carisma e o espírito primitivo que moveu os sete co-fundadores a criar nossa Sociedade.

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo

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