Além das manifestas qualidades de um vicentino, como desapego ao próprio parecer, espírito altruísta e vontade de fazer um mundo melhor, pode-se somar também a resiliência, termo de difícil compreensão, mas que muito quer dizer. A palavra, bastante empregada nas ciências exatas – mais especificamente na física –, nomeia a propriedade de alguns materiais de acumular energia, quando exigidos ou estressados, e de voltar ao seu estado original sem qualquer deformação.

Resiliência é uma palavra vem do latim “resilio”, que significa voltar ao estado natural. O conceito de resiliência para as ciências humanas é “a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades”. Em outras palavras, é a capacidade de lidar bem com desafios e pressões.

No mundo dos negócios e dos recursos humanos, resiliente é a pessoa que possui a capacidade de ser flexível e resistente, sabendo vencer as adversidades e continuar com o mesmo vigor e a mesma vontade. Numa comparação interessante, o resiliente é como a vara do salto em altura, aquela que enverga no limite máximo sem quebrar, volta com tudo e lança o atleta para o alto.

O vicentino é, por natureza, um resiliente. Aguenta os dissabores da vida, em especial os reveses das famílias assistidas que relutam em serem promovidas. O resiliente é também uma pessoa que aceita as coisas como elas são, procurando ver o lado positivo delas e como melhor usufruir das diversas situações. O resiliente é a pessoa que sempre perdoa, sempre confia, sempre dá uma segunda chance. Em sua ótica, ainda há espaço para o aprimoramento e para a correção das coisas. Seu oposto, portanto, é o pessimista e o pragmático.

São resilientes todos os membros das Conferências Vicentinas e das dezenas de ramos da Família Vicentina, pois possuem a capacidade de suportar as vicissitudes sem perder as esperanças nem os ideais (às vezes românticos) que norteiam sua forma de ver o mundo e de agir a favor do próximo. O resiliente não se decepciona com as pessoas, não as julga, não faz juízos de valor nem põe rótulo nelas. Sabe ser equilibrado e centra suas ações na diretriz do certo e do virtuoso.

O vicentino é um resiliente nato, por isso sua “chama interior” nunca se apaga, mesmo com as maiores desilusões e desencantos com as pessoas e as instituições. O vicentino nunca desiste, sempre encontra saídas para resolver os problemas das Conferências, dos assistidos, dos Conselhos e das demais situações em que a Sociedade de São Vicente de Paulo está inserida.

Essa competência para resolver problemas também acaba contagiando as famílias carentes, que são estimuladas a crescerem na vida com seus próprios esforços. O vicentino resiliente busca, pela empatia, viver os sofrimentos dos assistidos como se fossem dele. Horácio, grande pensador italiano, dizia que “a adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas”. Assim, amados vicentinos e vicentinas, utilizemos nossa costumeira resiliência sempre em prol dos menos favorecidos.

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo

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