Se os jovens que chegam acharem útil encontrar amigos e irmãos, é essencial que a Sociedade recrute seus membros entre os jovens. Há quatorze anos a Sociedade existe: não deve envelhecer como seus fundadores envelhecem e a caridade está se tornando uma prática rotineira. A juventude é útil por sua audácia, mesmo por sua imprudência, pelas novas idéias que traz, pelas obras em que não se havia pensado.

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Frederico Ozanam, Excerto das atas das assembleias gerais, 1 de fevereiro de 1836 a 19 de março de 1848, Archivos S.S.V.P., reg. 103.

Reflexão:

  1. Um par de reflexões anteriores:
    • Frederico fala sobre os membros da Sociedade de São Vicente de Paulo, mas podemos pensar que ele fala com qualquer vicentino, qualquer que seja o movimento que ele seja, de onde quer que venha. Seu pensamento será igualmente válido.
    • Ozanam, embora permanecendo sempre na segunda linha, não deixou de exercer influência considerável na Sociedade de São Vicente de Paulo. Ele poderia ter sido o segundo presidente da Sociedade, depois de Bailly, mas ele não queria, e assim ele deixou Bailly saber quando soube que Bailly iria propor a ele como seu sucessor (Cf. Carta de Frederico Ozanam a Emmanuel Bailly, de 26 de abril de 1844). No entanto, o peso de Frederico na formação e desenvolvimento da Sociedade é indubitável; por exemplo, foi ele quem sugeriu a idéia do Manual da Sociedade, em 3 de março de 1845, e fazia parte da comissão que o elaborou.
  2. Este breve parágrafo nos lembra três aspectos que podemos (e devemos) colocar em prática em nossa Família Vicentina hoje:
    • Primeiro: nossa Família, nossos grupos, devem ser lugares acolhedores onde os jovens possam “encontrar amigos e irmãos”. Em nossa sociedade de hoje, é imperativo que adolescentes e jovens encontrem em nós um espaço onde possam desenvolver-se plenamente, tanto no aspecto humano quanto no cristão. Vamos pensar por um momento sobre a nossa realidade local, a de cada um de nós: isso é feito?
    • Segundo: as pessoas envelhecem e precisamos nos preocupar com os outros que assumam o trabalho. Este é um problema real em muitas partes do mundo dentro da Família Vicentina. Preocupar-se não é lamentar, mas espalhar o entusiasmo para aqueles que nos são próximos. O exemplo dos primeiros membros da Sociedade, neste caso, é claro: de onde vieram os novos membros da Sociedade de São Vicente de Paulo? Do boca a boca, do convite pessoal,  da família e dos ambientes acadêmicos dos seus membros? Ninguém diz que é fácil, e não é por isso que vamos parar de tentar.
    • Terceiro: A juventude é útil, indispensável, diria, “por sua audácia, mesmo por sua imprudência”. Não devemos temer que os jovens apresentem idéias novas e ousadas, até mesmo – de nossa opinião mais adulta – imprudentes. Eles nos oferecem, muitas vezes, linhas de pensamento e ação que nós, mais avançados em anos, nunca pensamos. Vamos encorajar nossos jovens a serem os protagonistas, acompanhando-os mais do que impondo seus passos!

Questões para o diálogo:

  1. Nossos grupos vicentinos devem ser lugares onde os jovens possam “encontrar amigos e irmãos”. Vamos pensar por um momento sobre a nossa realidade local, a de cada um de nós: isso é feito? Promovemos que crianças, adolescentes e jovens tenham a oportunidade de viver em espaços saudáveis, onde cultivar amizades verdadeiras, onde encontrar irmãos e irmãs na fé, com as mesmas esperanças e dificuldades? E isso, só fazemos “no papel”? É apenas um desejo? Um exemplo prático: promovemos espaços, lugares, clubes, onde nossos jovens podem se encontrar regularmente para conversar, brincar, socializar, conhecer … e não apenas para reuniões de grupo?
  2. Fazemos revisões periódicas em nossos grupos sobre a renovação e admissão de novos membros jovens? Estamos preocupados que existam grupos de jovens vicentinos? Que ações concretas realizamos para eles? E, em um nível pessoal: eu convido meus amigos para fazer parte da família espiritual de São Vicente?
  3. Encorajamos os jovens vicentinos a serem protagonistas, inventivos, a avançar no serviço e na evangelização dos pobres? E, igualmente importante: permitimos que cometam erros e aprendam com sua experiência, ou somos excessivamente protetores e autoritários?

Javier F. Chento

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