É necessário lembrar que existem duas doutrinas sobre o progresso. A primeira, nutrido nas escolas da sensualidade, reivindica as paixões e, prometendo às nações um paraíso terrestre no fim de um caminho de flores, nada lhes dá além de um inferno prematuro, como a culminação de um caminho de sangue. A segunda, nascida e inspirada pelo cristianismo, aponta para o progresso na vitória do espírito sobre a carne; nada promete, além da recompensa após a luta; essa crença, que desencadeia a guerra dentro do homem, é também a única que pode conceder paz às nações.

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Frederico Ozanam, Civilização no quinto século, Capítulo I: Progresso nos séculos de decadência.

Reflexão:

  1. As palavras de Frederico podem parecer duras, mas não menos do que as do próprio Jesus Cristo: “Entrai pela entrada estreita, pois larga é a entrada e largo é o caminho que leva à destruição, e muitos entram por ela; quão estreita é a entrada e quão estreita é a estrada que conduz à vida, e são poucos os que a encontram” (Mt 7, 13-14).
  2. Embora pareça que são temas diferentes (progresso e acompanhamento de Jesus), o paralelismo é evidente. Jesus Cristo nos diz que o caminho do seguimento não é fácil, que ele tem dificuldades, que ser um verdadeiro seguidor envolve esforços: “Enquanto eles caminhavam, um disse a ele: ‘Eu te seguirei aonde quer que você vá’. Jesus disse: ‘As raposas têm larvas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’. A outro disse: ‘Segue-me’. Ele respondeu: ‘Deixe-me ir enterrar primeiro meu pai’. Ele respondeu: ‘Deixe os mortos enterram seus mortos, vocês vão anunciar o Reino de Deus’. Outro disse: ‘Eu te seguirei, Senhor, mas me deixe dizer adeus aos da minha casa’. Jesus disse: ‘Ninguém que põe a mão no arar e olhar para trás é apto para o Reino de Deus'” (Lc 9, 57-62). Jesus nos indica, neste texto, que o mais importante é anunciar o Reino de Deus; nada ou ninguém está acima disso.
  3. E qual é o reino de Deus? Um reino muito diferente daqueles que conhecemos do mundo, onde Jesus, o servo de todos, é o único Rei, e nos pede para fazer o mesmo. Um reino onde “os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos estão limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres” (Mt 11, 5). Que bom programa é para todos os vicentinos!
  4. Se pensarmos bem, as palavras de Frederico não estão muito longe dessas reflexões que fizemos nos textos bíblicos. Qual é o progresso para Frederico? Construa um mundo melhor para todos, com esforço e sacrifício. Não é um ótimo programa para um político, mas é o único programa possível para um cristão. Se quisermos ser seguidores de Jesus e seguir seus passos, não temos escolha senão assumir que esse caminho não será simples.

Questões para o diálogo:

  1. Quão importante é em minha vida construir o Reino de Deus? Mais que minha família, mais que meus amigos, mais que minha posição, mais que meu próprio ser?
  2. Nós caímos facilmente na “outra doutrina”: na sensualidade, no egoísmo, em pensar apenas em nós mesmos? Se sim, o que podemos fazer para retornar a Jesus?
  3. Como construímos o Reino de Deus, os vicentinos? Vemos à nossa volta a visão “cega”, a caminhada “coxo”, os “leprosos” ficam limpos? Quem são esses cegos, coxos, leprosos … que estão ao nosso redor hoje?

Javier F. Chento

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